SÓLIDOS GEOMÉTRICOS------GEOMETRIA 

          Devemos, logo muito cedo, no primeiro ano de escolaridade, e nos primeiros tempos, deixar que os nossos pequenos alunos brinquem com os sólidos geométricos e com os blocos lógicos à sua vontade. Eles agrupá-los-ão de maneira espontânea e com critérios próprios, fazendo conjuntos que nos deixarão admiradíssimos de tanta criatividade.

           Um tempo mais tarde iniciaremos o trabalho de blocos lógicos com o expositor de duas entradas duplas, já tratado no capítulo próprio.

           Com os sólidos geométricos poderemos, mais tarde, começar a organizar conjuntos, propondo aos alunos que os agrupem conforme o critério que o professor propõe. Poderá, por exemplo, propor que em cima da mesa cada aluno colocará  somente um sólido que termine em bico. Convém explicar que o bico que conta é aquele que nos pica a nossa mão quando nós lhe damos uma “palmadinha” na “cabeça”. E cada aluno escolherá um que lhe pareça que satisfaz a condição, (que lhe picou a mão) que colocará na dita mesa, à vista de todos os colegas. E cada aluno irá buscar um até se esgotarem.

             Proporemos depois que se faça outro conjunto em cima de outra mesa, mas desta vez com sólidos que não terminem em bico. Convém que nesta altura não entre no jogo a esfera. Cada aluno escolherá um sólido que satisfaça o universo enunciado até se esgotarem (aqueles que não picam a nossa mão quando lhe damos uma “palmadinha” na “cabeça”).

              Para recolher, depois, os sólidos, convém repetir o jogo, pedindo a cada aluno que nos vá buscar um sólido que termine em bico ou que não termine em bico, e de preferência alternadamente, até recolher os sólidos todos dos dois conjuntos. Mais tarde começaremos a definir cada um destes conjuntos por pirâmides e prismas. É claro que o cone pode ser considerado uma pirâmide cujo nº de lados aumentou até ao infinito, e o cilindro pode ser considerado um prisma cujo nº de faces laterais aumentou também até ao infinito.

           Mais tarde podemos começar a dividir cada um dos conjuntos em subconjuntos. Assim, do conjunto das pirâmides poderemos isolar o subconjunto constituído pelos cones e do conjunto dos prismas poderemos isolar o subconjunto dos cilindros, o subconjunto dos cubos (prismas de faces quadradas, iguais e paralelas duas a duas) e o subconjunto dos paralelepípedos (prismas de faces rectangulares iguais e paralelas duas a duas).

            Se este trabalho for feito com os alunos só duas ou três vezes, ainda que pareça muito bem entendido e é costume sê-lo, convém mesmo assim, proceder a alguma sistematização.

            Dando continuidade ao estudo dos sólidos geométricos, convém, depois, iniciar a noção de superfície e a noção do número de faces (laterais e bases). Para isso, costuma ser muito eficiente que proponhamos aos alunos que pintem a giz de cor todas as faces dos sólidos, mas de maneira que cada cor não fique igual em faces contíguas nem usem giz branco. Os alunos ao fazerem o trabalho constroem por si mesmos a noção de superfície (tudo que se pode pintar é uma superfície) e pelo contraste das cores determinam facilmente o número de faces de cada sólido. Poderemos depois, mais tarde, pedir aos alunos que pintem com giz branco todos os bicos de cada sólido geométrico.

Findo este trabalho, os alunos estarão aptos a contar quantos bicos (vértices) tem cada sólido – porque os vêem todos pintados de branco – e o efeito que o vértice provocou no giz (cada vértice fez um buraco no giz), ficando os alunos a saber que vértice é o que “pica”.

          Poderemos depois propor aos alunos que, com giz branco, pintem todas as quinas (arestas) de cada sólido. Logo os alunos ficarão a saber contar todas as arestas de cada sólido porque se vêem bem marcadas a giz branco e verificam o efeito que elas provocaram no giz que as pintou (ficou quase cortado) o que quer dizer  que as arestas cortam. Aqui poderemos ligar às noções de segurança (interdisciplinaridade) – cuidado com tudo o que pique e que corte.

         Como trabalho seguinte proporemos pela época do Carnaval que cada aluno cole (com cola muito fraquinha) um papelinho de Carnaval (confétis) em cada canto de um sólido. Findo o trabalho, os alunos perceberão muito bem a noção de canto (ângulo) e contá-los-ão sem dificuldade.

          Os alunos verificarão por eles próprios que, por exemplo, a esfera será pintada de uma só cor, o que equivale a concluir que só tem uma superfície ou face, e que não pica nem corta, o que equivale a dizer  que não tem vértices nem arestas.         

E o trabalho feito assim é rápido, eficiente, e o professor fala e explica pouco, aprendendo os alunos muito em pouco tempo, investido na matéria.

            Quando mais tarde se procede à planificação dos sólidos geométricos, também se me mostrou de bastante utilidade recortar a planificação, dobrar e colar mas de modo que logo a seguir se possam descolar e guardá-los planificados a fim de que o aluno, depois, possa identificar cada sólido geométrico só pela sua planificação e imaginá-lo montado e colado. A menos que se consigam duas colecções de planificações, e então, já uma poderia ficar montada e colada para sempre e a outra para ser manuseada em planificação.

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