NÚMERO

             Durante os primeiros dias de aulas, manusear réguas - construir estruturas tipo lego- ir buscar as réguas que faltam aos caixotes, e arrumá-las no fim dos trabalhos nos referidos caixotes, comparando os nºs de cada régua com o que está escrito no caixote respectivo, ou comparando a quantidade da régua que quer lá pôr com a quantidade da régua que lá estiver dentro, é uma actividade matemática muito rica.

            Os alunos farão necessariamente comparações de quantidade por correspondência, concluindo qual a quantidade maior, menor ou igual, fazendo mesmo várias operações intuitivamente.

          Mais tarde, pondo à disposição dos alunos cubos Cuisen’eu, eles construirão estruturas em articulação - réguas cubos - mais enriquecidas.

Aqui aparecem intuitivamente práticas de superfícies e volumes criadas e utilizadas pelos alunos.                                                                                                                              Um exemplo de trabalho que os alunos gostam de fazer com as réguas Cuisen’eu, que é uma parede duma garagem onde eles guardam os carri  -nhos   com que brincam na  Escola na hora da Matemática.
o o o o o o o o o o1 o o o o o5
o o o o o o o o o9 o o o o o o6
o o o o o o o o8 o o o o o o o7
o o o o o o o o o o1 o o o o o5
o1 o o o o o5 o o o o o5 o1
o o o3 o o o3 o o o o4 o o2
o o o o o o6 o o o o o o6

     o          Representa um desenho marcado nas réguas (fruto, objecto, etc.)

E todos os alunos costumam ser capazes de fazer um trabalho deste tipo sem que o professor intervenha. Muitas vezes influenciam-se uns aos outros no tipo de trabalho. Mas repare-se o que um aluno acabado do chegar à escola é capaz de fazer, analisando nós este trabalho possível.

1º Tem de centrar a porta da garagem, ficando igual espaço à esquerda e à direita e entrar o carro.

2º Na segunda fiada de réguas, não tendo a seis, ele substitui-a pela três e outra três no lado esquerdo, e pela quatro mais a dois no lado direito.

  Na terceira fiada, ele substitui a régua seis duma outra maneira.

4º Na quarta fiada, ele descobre que a largura total da garagem leva a régua 15, que para fazer o quinze ele necessita da régua dezena e da régua cinco e provavelmente descobre que a porta da garagem tem a largura da régua três.

5º Ele descobre nas outras duas fiadas que o 15 se pode construir também com o 8 e o 7 e com o 9 e o 6.

6º Na última fiada ele volta a verificar que o 15 se constrói com a dezena e a régua cinco.      

7º Se no fim quiser pôr o telhado na garagem, e quase sempre querem, terá que verificar que aqui só pode usar réguas inteiras e a maior possível é a dezena. E que o comprimento ou a largura, afinal, não pode medir mais do que a régua dez, para lhe ser possível colocar o telhado.

Eles não verbalizam estes tipos de raciocínios que necessariamente terão de fazer a fim de concluírem um trabalho deste tipo. E repare-se na sua riqueza matemática. Quantos problemas não terá de resolver cada aluno para levar a cabo a sua construção ?
E o professor não teve que fazer um ensino expositivo; apoiou e incentivou e tudo funcionou por interacção aluno/material didáctico estruturado e/ou aluno/aluno. E a criatividade foi dos alunos.

E eles gostam do que criam. E a falta que a matemática lhes fez!…

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