CONDIÇÕES DE LIBERDADE

            Também nestes anos e até ao 25 de Abril de 1974, não havia grandes possibilidades dum qualquer professor sonhador começar por aí a pôr sonhos em prática, porque todo o sistema era rígido e controlado, e sair-se daquele carreirinho era perigo à vista. A hierarquia vigiava qualquer desvio, não fosse aparecer por aí inovação subversiva. O alunos eram submetidos a exames desde o 1º  ao  4º ano e todo o saber que deviam mostrar era muito normalizado, padronizado, muito decorado, enfim. Quaisquer inovações metodológicas dariam forçosamente exames fora da norma, e a norma era os alunos responderem de forma não pensada mas simplesmente decorada, evidenciando um falso desembaraço. E através dos resultados dos exames dos alunos controlavam-se também os professores. Então tornou-se-me também impensável implementar qualquer coisa parecida com o método em referência.

            Outro factor que também desencorajava a inovação era o não ganhar nada com isso e poder perder muito. O fazer como sempre se fez traz segurança, rotina e menos trabalho, paz e harmonia no meio, paridade com os outros, confiança dos encarregados de educação e tranquilidade na hierarquia.

O inovar traz insegurança porque foge à norma e faltam-nos pontos de referência, por falta de apoio nunca sabemos muito bem se vamos no caminho certo e o tempo perdido nunca se recupera, cria desconfiança entre pares e encarregados de educação e algum “disse que disse”, mais trabalho de preparação, mais reparos da hierarquia, etc. Se Cristo foi morto por inovar!…O reconhecimento pela inovação ganha-se, normalmente, a título póstumo.

          Enquanto o regime político e os exames não caíram, não se inovou. Havia que não fazer ondas. E eu por aí andei!…

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