CAUSA PRÓXIMA DO APARECIMENTO TRABALHO

               

Como tenho sentido grandes dificuldades em demonstrar que é possível fazer esta matemática por este caminho  com os alunos do 1º ciclo a quem não os vê trabalhar, pelo facto de   abordar conteúdos que por norma só são trabalhados no 2º e mesmo no 3º ciclo; como tenho verificado quanto é útil trabalhar o programa do 1º ciclo no sentido do que encontrarão nos outros ciclos, evitando perdas de tempo em recomeçar tudo de novo; como sinto o dever de passar a palavra a todos quantos possam manifestar algum interesse em aproveitar o meu trabalho de “investigação” de mais de 20 anos em benefício dos alunos deste país:

Aqui fica este testemunho criado com muito empenho e provavelmente com pouco engenho.

Não se pretende que este trabalho seja um estudo exaustivo da matemática nem que trate de todos os assuntos possíveis. Ele é essencialmente um apanhado de propostas metodológicas que o autor pensou e implementou nas suas práticas escolares, numa tentativa de tornar a aprendizagem mais dinâmica, mais participativa, no sentido dos alunos mexerem muito no muito material sempre à sua disposição, na procura dos caminhos, sentindo-se, dalguma maneira, construtores dos seus saberes.

       Sabemos que o método próprio da matemática é o dedutivo, porque toda ela são abstracções, produtos do nosso raciocínio e avessos a concretizações. Para os nossos pequenos alunos teremos que a trabalhar pelo método indutivo, recorrendo à tentativa de concretizar, manuseando material e correndo alguns riscos de imprecisão nos conceitos. Mas não podemos ter tudo!

A este propósito, ainda hoje me lembro, quanto era embaraçoso no meu curso, mostrar aos alunos a igualdade do litro de líquidos, com o litro de sólidos, com a caixa do decímetro cúbico e o decímetro cúbico; aquilo nunca dava certo, por mais cuidado que tivéssemos ao enchê-los fosse com o que fosse. E nós, futuros professores mas ignorantes na análise das vantagens e desvantagens comparativas  dos dois métodos, procurando esconder o fracasso da concretização dos alunos a quem aquele trabalho se destinava, não trabalhávamos nem um nem o outro método, tentando que os alunos raciocinassem em vez de verem, quando eles só podiam ver para depois raciocinarem; mas se vissem concluiriam que não era tanto assim, e lá se ia o raciocínio. E nós, em vez de fazermos o jogo claro, procurávamos esconder. Há que concretizar, chamando a atenção para os possíveis erros que serão corrigidos com as nossas chamadas de atenção para as falhas que só o nosso raciocínio poderá corrigir.

                 É como querer concretizar que o metro tem mil milímetros; ou que os ponteiros dum relógio formam um ângulo recto às três horas exactas, etc.. A gente lá vai tentando, mas aquilo nunca dá certo. São conceitos a que se chega por abstracção. E os alunos só mais tarde conseguem abstrair, mas fá-lo-ão tanto mais cedo quanto mais manipularem material didáctico estruturado, mesmo que funcione só por aproximação.  

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